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6 de julho de 2006

Saturday, April 19th, 2008

Aí eu e a mamãe fomos almoçar, enquanto meu pai e minha irmã escalavam umas pedras (essas coisas de gente metida a Rei das Selvas). E ela - claro, ELA - inventou de pedir uma saladinha de entrada pra nós duas. Não é que eu não goste de salada. Eu só não gosto de nada or ninguém que seja verde e nascido em uma horta. Na verdade nem precisa ser verde. Não sou fã de hortaliças de modo geral. Frutas tudo bem. Eu não bebo sucos, mas frutas me trazem felicidade. Já verduras e legumes… eu acredito que a maioria delas não foi feita para o homem comer. Mas o homem, egoísta e mesquinho como ele só, achou que todas aquelas coisas brotando no mato eram pra ele. Aí deu no que deu: aquele prato de salada, todo bonitinho. Rabanetes picadinhos, cenourinha ralada, alface com dois charmosos tomatinhos-cereja em cima, e tomate. Muito tomate.

Olhei para o prato. Olhei pra minha mãe. O prato olhou pra mim. E ele não queria ser meu amigo. Quando minha querida progenitora disse “se você quer mesmo fazer regime, o seu almoço deveria ser isso e um frango grelhado”, encarei aquilo como uma afronta e resolvi ir em frente. Passei uns quinze minutos jogando óleo de oliva (e misturando a salada), sal (mistura) e limão (mistura mais um pouco). Quando tudo parecia perfeitamente temperado, repeti a operação, pra ganhar mais tempo. Levei os primeiros frutos da terra à boca. Qual não foi meu desespero quando notei que todo aquele tempero não serviu de nada. O rabanete continuava com aquele maldito gosto de rabanete e assim concomitantemente. Então lembrei da cebola, aquele tempero perfeito que me ajuda sempre que preciso dele. Pedi cebola, mas no restaurante da pousada não tinha cebola. Agora, com a mente mais clara, acho que foi uma piada de mau gosto da cozinheira, que estava era escondida em algum lugar rindo loucamente do meu suplício.

Não sei se o problema era eu, a salada ou o tempero, mas minha aflição crescia quando eu notava que o sal não salgava (só podia ser farinha), o limão adocicava e o óleo de oliva era daqueles inodoros, incolores e insípidos. Joguei sal nos tomates cereja. Engoli um por um. Na minha boca eles pareciam exatamente olhos humanos. E eram doces. Apelei para o alface, uma das poucas coisas naturais que são digeridas pelo meu organismo tão doentiamente urbano. Ufa. Agora só faltava a cenoura, os tomates (eram muitos tomates) e os rabanetes. Fechei meus olhos e abri depois de um minuto, na esperança de que eles desaparecessem. Me fingi de morta. E nada. Enquanto isso, ao meu lado, cada garfada voraz da minha mãe era uma garfada no meu coração.

Se ao menos tivesse cebola…