morderam meu mindinho

May 15th, 2008

Eu não gosto (não gosto!) quando o Pargarávio está passando por fases de transição. É aterrorizante. Ele fica com uma carinha meio Jekyl, meio Hyde, e eu, eu não fico com carinha nenhuma. Nunca sei em qual personalidade ele vai emperrar, pra eu sair empurrando e dizer “AGORA VAI”.

Realidade mordeu meu dedo e saiu correndo. Volta aqui, ó Mindinho. Ele é útil (é sempre a última unha que eu rôo). Agora os 2 vão povoar o mundo esses dois, ela com aquela cara de azedume dela, e ele, coitado, tão magrinho!

E quanto aos malditos filhosdemeretrizes desanimadores bastardos ignóbeis pargaravio.blogger.com.br que eu vejo me linkarem por aí, querem fazer o favor de atualizar vossas vidas e botar um www.pargaravio.com aí? a gente paga, a gente investe nas coisas, a gente atualiza regularmente a casa nova, mas  as pessoas continuam a bater na casa errada.

Se orienta, ô!

Você é o charme e a cordialidade em pessoa.

May 13th, 2008

adoro quando o Orkut acorda galanteador. me sinto benquista.

XX

May 11th, 2008

fossa = brigadeiro = tou gorda = fossa = brigadeiro = tou gorda = fossa = brigadeiro = tou gorda = fossa = brigadeiro = tou gorda = fossa = brigadeiro = tou gorda = fossa = brigadeiro = tou gorda = fossa = brigadeiro = tou gorda = fossa Da Cappo.

mulher é um saco.

no pode ser rebelde

May 10th, 2008

num momento aleatório dum sábado de semi-vida (tou parecendo um personagem de game com o nível de energia no vermelho, mesmo com todos os cogumelos que comi essa semana), busquei meu nome no Google e me assustei com as 1.080 entradas que vêm quando digito Francine Guilen. Me senti quase a Madonna. Daí eu caí no meu YouTube e daí me deparei com um vídeo que fiz com meu grupo pra um trabalho no segundo ano da Faculdade.

E Francine riu.

É um vídeo de apresentação de uma agência de Publicidade utópica que criamos nos idos de 2006, a Ludovica. E agora que estou de fato criando em uma agência de verdadinha, com pessoas de verdadinha, com rotina de verdadona, vejo como esse vídeo é ingênuo, mas como ele é legal.

Se deixar, a gente vira a SBBHQK. E pior, sem querer. Esse vídeo me fez relembrar uns conceitos que eu tinha mais fortes em 2006 e que precisam tomar um Biotônico Fontoura. :) Vale a pena ver, é uma versão, redublada por nós, do Mágico de Oz. Se não for pelo interesse publicitário da coisa, vale por me ver fazendo a voz de uma Fada-Atendimenta e de um Homem de Lata com um “outrrrrageous accent” em francês.

E esse seria um post mais pro Palitos de Fósforo, mas acho que já foi parar lá um dia - além dessa história toda de 345,4 blogs estar me deixando um tanto quanto perturbada.

a Globo e os crentes da novela

May 3rd, 2008

Há um (bastante) tempo atrás eu escrevi um post xingando horrores a Globo por exaltar tudo que era tipo de religião, mas deixar os evangélicos (uma quase-maioria com cara de minoria) de lado, sempre com aquela pecha de muléfeiaquenãodepilaasperna que eu abomino, tanto quanto o abominável homem das neves é abominado pelas… neves. Apesar de um pouco velhinho e datado, a essência do meu post de 2005 continua a mesma.

Mas agora dou meu braço a contorcer vendo (ainda que de longe) a cara que a novela das oito tá dando para o núcleo evangélico da história. (Não sei se é porque quase não assisti quase nada, mas até agora) eu não vi ninguém zoró, não vi nenhuma pseudo-beata tirando as roupas e não vi nenhum pastor mentirosão com cara de bicheiro querendo vender imóveis lá no alto. Não que isso não exista na vida real e a cores, mas é que era só isso que a Globo mostrava, minha gente.

Mas daí agora parece que ela quis se redimir. Não sei se algum roteirista novelístico andou lendo o Pargarávio (eles sempre lêem, esses danadinhos), mas tou vendo muito menos lado negro e mais gente bacana. Com estereótipos, mas só o suficiente. Daí pensei “puxa, preciso me retratar com a dona Globo lá no meu blogue”. E foi isso.

Tá caricatural, claro. Eles parecem um bando de louvadeus bobo-alegres, claro. Mas tevê é caricatural, afinal. E só de terem um espaço menos alívio cômico e mais coadjuvante de verdade no enredo me deixou mais satisfeita.

E, até aí, melhor ser retratado como um insetídio bobo-alegre que como…

ohsusana.jpg

corram para as montanhas!

mais posts antigos!

May 3rd, 2008

O Assassinato do Tempo

Alice suspirou, entediada. “Acho que vocês poderiam fazer alguma coisa melhor com o tempo”, disse, “do que gastá-lo com adivinhações que não têm resposta.”
“Se você conhecesse o Tempo tão bem quanto eu”, disse o Chapeleiro, “falaria dele com mais respeito.”
“Não sei o que quer dizer”, disse Alice.
“Claro que não!” desdenhou o Chapeleiro, jogando a cabeça para trás. “Atrevo-me a dizer que você nunca chegou a falar com o Tempo!”
“Talvez não”, respondeu Alice, cautelosa, “mas sei que tenho de bater o tempo quando estudo música.”
“Ah! Isso explica tudo” disse o Chapeleiro. “Ele não suporta apanhar. Mas, se você e ele vivessem em boa paz, ele faria praticamente tudo o que você quisesse com o relógio.” (…)
“É assim que você faz?” perguntou Alice.
O Chapeleiro sacudiu a cabeça, pesaroso. “Eu não!” respondeu. “Brigamos em março passado… pouco antes de ela enlouquecer, sabe… (apontando para a Lebre de Março com sua colher de chá); foi no grande concerto dado pela Rainha de Copas (…)
“Bem, eu mal acabara a primeira estrofe”, disse o Chapeleiro, “quando a Rainha deu um pulo e berrou: ‘Ele está assassinando o tempo! Cortem-lhe a cabeça!”
“Terrivelmente cruel!” exclamou Alice.
“E desde aquele momento”, continuou o Chapeleiro, desolado, “ele não faz o que peço! Agora, são sempre seis horas.”

[Lewis Carroll]

dizem que o homem inventou a roda e descobriu o fogo, mas estou pra duvidar. Porque a roda é tão redondinha e o fogo é tão incendiário que não posso crer que surgiram na massa encefálica da mesma espécie que inventou o trabalho - tendo como trabalho aquela visão capitalista em que você se tranca em uma jaula durante um período exato de tempo todos os dias e passa cerca de 589 horas semanais lá dentro apenas e tão somente pra ganhar dinheiro. Aquele lá que você vai gastar nas 5 horas de vida restantes no mês.

Daí que eu briguei com o tempo também. E nem me importo se ele resolver bater sempre as 6 horas, até porque eu não gosto de chá. Eu resolvi ser bem pós-moderna e simplesmente ignorá-lo. É, ignorar o tempo. Vamos dizer assim, eu dei um tempo do tempo. Aquela convenção social chamada relógio só vai me servir pra me orientar em uma ou outra convenção social, pra não me atrasar ou me adiantar, ou desejar boa tarde às 2 da madrugada. Mas de resto, ó, não estou nem aí. Nem preciso dizer a que horas eu estou escrevendo esse post, porque horas non eczistem, e não vou arrancar meus parcos cabelos pensando “oooh jerônimo, não vai dar tempo de fazer isso”, porque pra quem ignora o tempo, sempre dá.

Se ele perguntar de mim, diga que não me viu passando por aí, ok?

ah,
e por favor, não fala que eu tou online no MSN, porque ele tá bloqueado.

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Quinta-feira, Abril 19, 2007

O Homem que Socializava Demais

Aconteceu num dia, foi de repente, assim tão de repente que parecia até coisa da Clarice Lispector. Ele tinha acordado meio Calvino aquele dia, e sabia que alguma coisa de muito inconveniente resultaria desse fato. Foi mais ou menos (um pouco mais do que menos) quando ele entrou no ônibus e viu aquele senhor puxando a cordinha pra avisar o motorista. Aquela cordinha, aquela cordinha puída e insignificante foi o estopim para o início do momento epifânico, que se fosse escrito pela Clarice daria meio que um livro inteiro, daqueles bem cheios de aaaahs e oooooohs e inclusive protagonizaria uma cena de luxúria e um suicídio, ao mesmo tempo (teria até gente se enforcando na cordinha, coisa feia de se ver). Mas como não sou Clarice (e agradeço aos céus a cada dia por isso), só vou dizer que

Oh - pensou o homem em um pensamento monossilábico. E ele olhou em volta e viu quanta gente tinha em volta dele. E ele percebeu que todas as pessoas eram pessoas. E que todas as pessoas (que eram pessoas) tinham algo a dizer pra ele. Que se ele tivesse nascido no bairro vizinho, provavelmente seria o melhor amigo do motorista do ônibus, e que nada ou pouca coisa impediria de que aquela simpática velhota babando no banco de trás fosse sua sogra.

Então ele pensou em um universo em crise em que ele conhecesse todo mundo. Seria tão mais fácil, e ele teria as chances e as oportunidades em dobro, em triplo, em quádruplo, em pentágonuplo. Só conhecendo todas as pessoas do mundo ele seria capaz de saber tudo o que a vida poderia lhe oferecer. Ele não imaginaria mais como seria seu futuro se ele fosse amigo da menina de óculos que andava na calçada do outro lado da avenida. Era só chegar lá, e fazer o futuro acontecer fora da imaginação dele. E ele começou sua estratégia. Entrava e dava oi. Pra todos. Cumprimentava com beijinho, se apresentava, dava cartão de visita. No começo, falava do tempo, comentava sobre a política e o futebol, mas a prática foi tamanha que ele era capaz de saber o assunto preferido de seu mais novo conhecido antes mesmo de cumprimentá-lo. E foi. E o trabalho foi ficando cada vez mais prático. Quanto mais gente ele conhecia, mais eles lhe apresentavam seus amigos, que apresentavam seus amigos, que apresentavam seus amigos.

Muitas vezes, em sua primeira aproximação, as pessoas se espezinhavam e a polícia era chamada. Mas ele conhecia todo o corpo de polícia. Tudo acabava em um jantar numa pizzaria próxima. De graça, porque ele era amigo do dono.

E era chamado pra festas, e nas festas conhecia todo mundo. E no ônibus conhecia todo mundo. E na sua casa, é, na sua casa também. Nas ruas, nem andava mais, tendo que parar pra cumprimentar todo mundo. E pra lembrar as datas e as preferências de cada um, foi tabulando em livros e HDs, tem hoje uma biblioteca muito completa em casa. Ele até conhece você, acredite. E como ele sofria ao cubo com as mesquinharias de amizades e relacionamentos, mas como ele se divertia. Se divertia e se divertia.

Certa vez perguntaram pra ele o que ele vai fazer quando conhecer todas as pessoas.
- Provavelmente vou me convencer de que elas são tão parecidas comigo, mas tão parecidas, todas elas, que vou achar mais divertido comprar uma cabra. Agora me dê licença, porque preciso visitar 5 mil crianças que estão nascendo hoje. Cada nascimento é um novo contato, é um trabalho sem fim.

 

o carinho de mãe

Adquiri mais dois moradores para a minha cama (que é um território muito disputado no mercado imobiliário dos seres estranhos de pelúcia). Um é o Chaves. Outra é a ovelhosa mais legal da face da Terra, depois da Ludovica. Tão legal que acho que vai ser a substituta do meu Ió nas minhas noites calientes solitárias.

Ao ver minha nova escolha de parceiros, minha mãe declarou, espontaneamente:
- É, antes você dormia com um burro com cara de depressivo. Agora vai mudar para uma ovelha com cara de idiota.

Ela sempre fala mal das coisas com as quais eu passo a noite.

[em breve eu serei expulsa da minha cama pelos meus bichinhos, ela vai ficar pequena demais pra nós 15] a solução vai ser dormir no sofá.

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Quinta-feira, Abril 12, 2007

Jantar cordial

era um jantar na minha casa. Desses que não acontecem todo dia. Chovia muito lá fora, era um presente pra mim. O prato principal era qualquer coisa que parecia comida de desenhos animados. A mesa estava postada daquela maneira que eu gosto, flutuando no teto, ao lado do lustre, onde a Rebeca mais gosta de ficar, pendurada, de cabeça pra baixo, com as tranças dela varrendo o chão.

Walt Disney dominava a conversa, contando algumas de suas idéias com um brilho nos olhos que deixava até mesmo todos os membros do Monty Python calados e respeitosos. O tímido Bill Waterson estava no canto conversando com seu filho, o Calvin, que, mal sabia eu, estava com as alianças no bolso esperando a oportunidade para propor para mim. Ele contaria com a concorrência desleal do Davi, o bíblico ruivo (e de gentil aspecto), músico e que cuidava de ovelhas. Meio que minha alma gêmea, que morreu há mais de 3 mil anos.

Bateram na porta, era o Chaplin, fazendo um comentário ameno sobre a chuva, tirando o chapéu ensopado e jogando no ensopado que a cozinheira preparava. Logo atrás, entravam Roberto Gomez Bolaños e Mark Twain tecendo piadas afiadas sobre o homem que dançava na chuva como um maluco.

Na cozinha, Willy Wonka [o de 1971] cozinhava um pudim de chocolate enquanto discutia algumas teorias com o Beakman.

e eu, eu só olhando.

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Terça-feira, Abril 03, 2007

escritos aleatórios porque aleatoriedade é legal e a vida é aleatória

Como assim? - perguntamo-nos nós. Faz mais de um mês que a dona Francine não atualiza esse blog satisfatoriamente. E quando digo satisfatoriamente, digo “com um texto escrito pelas próprias pontas dos dedos dela”. Tem gente que diz que é bom, já que eu escrevo muito (não posso evitar, poder de síntese é um dom para poucos) e só assim eles conseguem ler tudo a tempo. Tem gente que diz que é ruim (como a minha mãe, por exemplo). E tem muita gente, aliás, que não diz nada. E esse é um dos motivos para eu baixar o AI 42 aqui e exterminar o campo dos comentários. Aos antigos comentaristas, meu “sinto muito”. Aos que quiserem comentar daqui pra frente, meu e-mail, minha página de scraps e meu msn estão à disposição, é só seguir a estrada de tijolos amarelos com bolinhas roxas.

Mais de um mês e isso é vergonhoso. O pior é que tive idéias, mas como já disse em alguns pixels mais pra baixo, elas andaram sendo boicotadas por motivos diversos, e foram brutalmente assassinadas. Tenho algum papel jogado aqui pela minha casa com idéias de textos, mas não vou procurá-lo, não agora. Sei que eu ia escrever algo sobre a procura por estágios. Coisa feia, a procura por um estágio. Porque muitos empregadores acreditam que uma pessoa que faz Comunicação Social vai curtir a idéia de passar 10 horas por dia em um escritório anotando recados. O que eles acham é que vão nos enganar escrevendo nomes glamourosos para vagas nonsense no anúncio de estágio. É tudo uma grande balela. Estágio é uma grande conspiração comunista, é isso é que é. Para os que um dia ainda vão começar a procurar uma vaga no maravilhoso mundo do mercado de trabalho, muna-se do dicionário português-estagiês. Em um dos tópicos esse dicionário diz claramente que “elaboração de relatórios” é um nome bonito para ” anotar recados”, e “auxiliar no departamento comercial” nada mais é que “ser uma vendedora de roupas atrás do balcão em alguma loja do Centro”. Isso quando não pedem uma “estagiária de boa aparência para trabalhar em vídeos internos de um hotel. Favor mandar foto.”… Enfim, isso e mais outras peripécias empregatícias talvez fique para um post engraçado em um dia inspirado, porque hoje pelo que estou vendo não estou nem engraçada nem inspirada. Pena.

- sim, eu sou muito chata no msn. Favor não deixar recados beijos obrigada. Por isso fiz ICQ, porque ele é muito mais legal e não tem ninguém online pra me encher o saco.

- não, isso não faz sentido. Mas me lembra outra idéia de post. Abrindo meu ICQ (número antigo, se você quiser relembrar dos velhos tempos comigo me add ae na sua vida 104834900), me deparei com meu About antigo, o que me rendeu momentos de risadas e reflexões. Ele deve datar dos idos de 2001, e me deu uma nostalgia incrível. Abrir meu ICQ, ver os meus dados antigos e ver os vários amigos antigos com nicks antigos me fez mergulhar no passado. Num passado nem tão distante assim, mas que me trouxe umas memórias simpáticas, coisa estranha. E uma sensação arqueológica mais estranha ainda. Vários e vários nicks de pessoas que usavam aquele programa muito melhor e muito mais divertido que o MSN, na época em que não se contava a vida no apelido. Todas elas em vermelho, na barrinha Offline. Os restos mortais de toda uma civilização. Mais ou menos como acessar o Orkut daqui a 10 anos e encontrar as comunidades abandonadas, os Profiles com marcas de mofo e roídos de ratos, com frases e relações que nem existem mais (se é que realmente existiram na época).Tinha vezes em que 30 pessoas ficavam online, num fim de semana movimentado (ou pacato, escolha como quiser), e a gente conversava, e ria, e até desenvolvia crushes (não que seja muito difícil, ok), e esperava ansiosamente ouvir o “Toc toc toc”. Fiquei uma tarde online. Esperei um Toc Toc Toc. Mas todos foram embora. Todas as pessoas que agora nada mais são do que nicks abandonados em um programa que não existe mais. Cascas de nicks vermelhos olhando pra mim.

[Fora isso, só passei pra deixar registrado que "epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa" do problema. O termo é aplicado quando um pensamento inspirado e iluminante acontece, que parece ser divino em natureza (este é o uso em língua inglesa, principalmente, como na expressão I just had an epiphany, o que indica que ocorreu um pensamento, naquele instante, que foi considerado único e inspirador, de uma natureza quase sobrenatural). Epifania também possui o significado de manifestação ou aparição divina. Diversos personagens históricos, na grande maioria líderes religiosos, filósofos, cientistas, místicos, escritores, teriam tido experiências epifânicas, dentre eles: * Buda * Moisés * Arquimedes (com o célebre grito "eureka", epifania que lhe permitiu formular a lei do empuxo) * Maomé * Jacob Boehme * Friedrich August Kekulé (que descobriu a geometria da molécula de benzeno, ao sonhar com uma cobra engolindo o próprio rabo) * James Joyce". Eu acho que passamos por experiências epifânicas várias vezes, epifaniazinhas que fazem bem, e se estamos abertos a elas, podemos estar prontos pra começar mudanças incríveis. Mas existem também as Epifanias de fato, momentos raros em que tudo se faz claro. E vou te contar... acho que vou até usar óculos escuros, daqueles de esqui, de tão claras que as coisas estão ficando por aqui.]

a essa altura você notou que não adiantou muita coisa eu ter atualizado meu blog com esse texto confuso e sem charme. Observe eu não me importar.

 

FAIL

April 27th, 2008

ai, eu não pude evitar:

failteste.jpg

E desencontros.

April 19th, 2008

(16 de Setembro de 2006)

Dorinha o esperava no portão todos os dias. Sorria, feliz, quando o encontrava. Colocava sua roupa favorita. Quando ele atrasava, corria para a cozinha em busca de seu pote de Lexotans. Quando o telefone tocava, torcia para que fosse ele avisando que hoje estaria de folga, e chegaria em casa com as flores, que tinham até um vaso vazio pronto para recebê-las. Mas ele não a conhecia.

Stella fazia uma tatuagem para cada homem com quem se relacionava. Quanto mais intenso o relacionamento, maior era o tamanho da tatuagem. Os espaços em branco iam ficando cada vez mais escassos. É que quando Stella tinha doze anos, uma cartomante havia lhe contado que o último nome, que seria tatuado no último espaço em branco de seu corpo, seria o seu verdadeiro amor. Aos 98 anos, ela tatuou “Amor só de mãe” e morreu de overdose.

Um raio caiu na Igreja no dia do casamento. O Padre sorriu. Eles iriam se separar daí duas semanas de qualquer forma.

Marta tinha um jogo divertido. Quando se sentia entediada, escolhia alguém para se apaixonar. A regra era não trocar palavras, em hipótese alguma, com o sujeito da paixão. A partir do momento em que travassem conhecimento, a brincadeira acabava e Marta partia para outra. Marta compra ração para seus 50 gatos desde já. Mas tem medo de que os felinos travem conhecimento com ela.

Todas as noites Fernanda orava antes de dormir, pedindo um príncipe que gostasse de All Star e usasse moicano. A dois quarteirões dali, um menino de Allstar e moicano pedia, todas as noites, por um sapo que gostasse de tocar guitarra. Ele colecionava anfíbios músicos e não tinha coração. Só rãs.

Ele não se importava de ter sido trocado por outra mulher. Tudo bem, não tinha como competir. Ela era ruiva. É que levar todos os seus CDs do Jethro Tull também já era demais.

Clara era uma atéia fanática, e Mauro um evangélico convicto. Um dia desistiram de trocar farpas e resolveram trocar alianças. Os fanatismos, amenizados, deram origem a uma prole de cinco filhos: um católico, um umbandista, um espírita, um judeu e um muçulmano. O Natal era uma festa.

Dorothy estava de casamento marcado. Mas fugiu no dia seguinte com uma joaninha.

Se casaram em Las Vegas. Não se conheciam. Metade dos anos seguintes se passou com o casal bêbado. A outra metade, de ressaca. As Bodas de Ouro foram fenomenais.

Sofia parou diante de um túmulo que chamou sua atenção. Olhando para aquele nome ela percebeu, naquele instante, que o sentimento maior que ela tanto procurava sempre esteve ali. 1850-1923. Seus dias de procura tinham terminado. Saiu do cemitério disposta a descobrir mais sobre a vida daquela que foi sua alma gêmea, mas que tinha chegado aqui cedo demais.

Sempre se encontravam vindo de direções contrárias. Ele saindo, ela entrando. E vice-versa. Quando quiseram fazer o caminho inverso, ele entrava e ela saía. Já estava se tornando uma estupidez sem fim. Resolveram, então, andar de ré. Funcionou.

Paulo e Rita se viam todo dia. Sabiam da vida inteira um do outro. Patrocinados pelo Orkut. Mas nenhum era capaz de entabular uma conversação. Apresentados por um amigo em comum, Rita se fingiu de morta e Paulo fingiu precisar sair para comprar selos exóticos para sua coleção inexistente. E viveram infelizes para sempre.

Andavam abraçados, pra cima e pra baixo. Era um casal que se apoiava. Uma belezinha. Um dia ele foi comprar cigarros, ela se desequilibrou, caiu e morreu.

Malvira era uma mulher vivida e experimentada. Mais experimentada que vivida. Casava-se todo começo de mês e enterrava um marido todo fim de mês. Bem, “enterrava” não é a melhor expressão. Quando Malvira morreu, a diversão de seus netos era levar os amiguinhos para conhecerem a sala com os 247 maridos empalhados da boa senhora.


Sábado, Setembro 02, 2006

April 19th, 2008

Eu amo São Paulo. Por incrível que pareça. Ano passado eu não gostava, mas o tempo me fez gostar cada vez mais dessa quarta maior cidade do mundo, por vários e vários e vários motivos. Minhas reclamações são só contra a poluição, o trânsito e… a umidade relativa do ar. Porque aqui simplesmente chove quase que tanto quanto no Sertão.

Ok, ok, eu nasci e cresci em uma cidade litorânea, e isso explica tudo. Em Santos realmente chove. Não com três gotas infelizes que aparecem só pra dizer “olhem só pra mim, somos três gotas, vamos chover durante cinco minutos só pra assustar vocês”, igual acontece aqui em Sampa. Terra da Garoa??!! Em um ano aqui, acho que só vi garoa umas 3 vezes. E olhe lá.

É que eu gosto de chuva. Não é o melhor tempo para se pegar ônibus e tudo mais, mas aquele barulhinho de água caindo do céu, as gotas nos vidros das janelas e todo o simbolismo de renovação, bênção e confirmação que chuva tem me deixa muito de bem com a vida.

Agora imagine só meu desespero ao aportar aqui e perceber que chuva aqui é quase que um milagre de Natal. E, pior, quando chove, é um toró legal, mas que dura… o que? No máximo duas horas, se eu for muito otimista. Muito diferente de lá, na terrinha litorânea, onde chove bastante. Tem vezes que chega a chover durante duas semanas seguidas, para minha grande felicidade.

O pior mesmo é ver as reações dos paulistanos em relação à chuva. É só umas gotas começarem a cair, que é um tal de gente correndo e se esmagando de um lado para o outro, como se o mundo fosse acabar a qualquer instante, e o Apocalipse estivesse em seus calcanhares. Ora pois, devo avisá-lo, meu caro amigo fugitivo, que mesmo que seja uma chuva forte, normalmente o máximo que pode acontecer com vossa senhoria se você entrar nela é SE MOLHAR. Nada relacionado a membros decepados, perda da alma ou morte súbita, como as corridas desesperadas dos paulistanos com medo de chuva demonstram. Queridos, aquilo lá caindo do céu não são bolotas de lava, nem setas inflamadas do demo, é CHUVA. Chuva ácida, muito provavelmente, mas chuva. Aquela coisa gostosa que faz bem, que lava a alma, e que inspira.

Aí você abre a janela do ônibus para sair o cheiro de caninos molhados de lá de dentro e todo mundo vira pra você com cara de “ela abriu a janela. Ela vai deixar o mal líquido entrar em contato conosco! A morte nos aguarda com grandes dentes afiados! QUEIMEM A GAROTA COM A BOINA!”. Aí você passa em frente às estações cobertas de metrô e vê 522 pessoas aglomeradas olhando para a chuva com expressão de pânico, sem coragem de pôr o pé para fora do coberto. Imagine se estar esmagado no meio de outras 521 pessoas semi-úmidas é mais confortável do que simplesmente sair e sentir a chuva te molhar.

Deve ser algo cultural. Talvez eu saiba que, em Santos, se eu resolver ficar no coberto para esperar a chuva passar, existe a chance de ter que acampar “no coberto” e lá ficar esperando durante os próximos 3 dias. Enquanto aqui, a chuva mentirosa dura tempo suficiente para que os medrosos possam ficar poucos minutos debaixo do telhado, já sabendo que o seu fim está próximo (o da chuva, não o deles, creio eu).

Claro, não é nada legal chegar encharcado em casa. Dá gripe, leptospirose, baixa auto-estima e demais coisas desagradáveis. Mas isso não é explicação suficiente para as atitudes esquizofrênicas daqueles sujeitos engravatados da Paulista que temem a chuva. Será que eles nunca brincaram de correr no quintal e pular nas poças durante a chuva mais forte do ano? Eu faço isso até hoje. E ficar com gripe depois é inclusive parte da brincadeira. Burricos.

Quinta-feira, Outubro 05, 2006

April 19th, 2008

- Meu pai parece o Robin Williams
Parece mesmo.

- Flashmobs musicais
No próximo domingo, todo mundo vestido de Noviça Rebelde cantando The Hills are Alive no vão do MASP.

- Tostitas: o merchan mais sagaz do mundo
Porque o que é aquele desenho açucarado das bolachas Tostitas senão o logotipo da Brahma?

- Viciei em They Might Be Giants
Alguém me faz parar.

- Tenho vergonha da minha coleção de figuras de ação
Se não fosse o Mc Donald’s e o Burger King ela não existiria.

Simples assim.

- Acompanho novela uma vez por mês
Vi o primeiro episódio, vi o último. E entendi tudo.

- Eu já dancei axé
Eu tinha 8 anos. Fui coagida.

E, puxa vida, eu nasci em Santos.

- Falar mal dos outros: tentando parar
Agora, só pelas costas.

- Falar mal dos outros pelas costas: tentando parar
Ah, se os outros colaborassem.

- Compras na 25
Voltei sem um braço, mas aquelas bolsas saíram quase de graça.

- Stalker pride
- E como vai a Rua das Laranjeiras?
- Como você sabe que eu moro lá?
- Intuição feminina.
- E essa faca?

- Comunidade nonsense é hype
Mãe, tô hype.