Tem um restaurante agradávelzinho aqui perto que me envia o cardápio do dia todo dia por e-mail. Mais legal que os pratos saborosos (são um tico apetitosos) é a criatividade da moça que escreve os nomes deles.
É sempre um novo desafio adivinhar o que você vai almoçar, ao saber que lá no restaurante, aguardando você, estão pratos como
- Picadinho diferente
(diferente de tudo, diferente de você, ele não se preocupa com o que os outros pensam. Pegaram um indie na Paulista de sábado e picaram, aimeudeus, Picadinho diferente is people!)
- talharim ao molho aromático
(macarrão com molho de incenso)
- caneloni invertido ao curry
(caneloni invertido: canelones posicionados de ponta cabeça na travessa? ou canelones de presunto recheados de massa? ou é um erro de digitação, e queriam dizer canelonis introvertidos?)
- Purê surpresa
(um purê surpresa deve conter uma moça que sai de dentro dele com pompons, cantando “Hello my hometown gal” ao ser colocado no seu prato)
- lagarto delicioso
(o delicioso tenta justificar o lagarto. De qualquer forma é uma antítese)
- Taças miragem
(um tipo de sobremesa que você só vê de longe. Parece um pavê de Ferrero Rocher com Toblerone, mas quando você chega perto, ele não está mais lá)
- Ensopado de inverno
(um cozido de polainas, boinas e casacos xadrez, um churrasco de boneco de neve)
“Tattoos of memories and dead skin on trial
For what it’s worth it was worth all the while
It’s something unpredictable, but in the end it’s right.
I hope you had the time of your life”.
Green Day
a gente é mesmo desvivente, né? Aprende as coisas, acorda uma manhãzinha com uma epifania do tamanho de um trem, levanta a cabeça sorridente, falando “já saquei tudo de tudo, agora eu vou, tá fácil”, pra desaprender tudo no próximo ano, e ter que aprender tudo de novo. Acho que é assim mesmo, tem que ter graça!
Perdões pelo post choramingas de hoje, é que precisava transbordar isso pra vocês: meus pais vão se mudar da casa que eu morei desde os meus 9 anos (da rua que eu morei desde os meus 4 anos), e passei a tarde com o nariz empoeirado empacotando e encontrando coisas antigas.
E dentre embalagens de pirulitos das Spice Girls, álbuns de figurinhas da Disney, diários escritos por uma mini-Francine de 7 anos de idade, encontrei pedaços de gente. Não no sentido literal, mórbido e bizarro da coisa, embora fosse interessante, quero dizer…. mas pedaços abstratos de pessoas e sentimentos que passaram por mim, ou que ainda estão-mas-não-estão, ou que nunca mais voltarão ou que nunca mais sairão-mas-sairão.
Foram umas horas de esquisitice, sentada no meu quarto que já era ex mas que agora vai ser mais ex ainda, revirando folhas e mais folhas. Do prézinho ao ano passado, tem muita coisa lá. Muita gente preservada lá. Partes de coisas que não fazem mais o menor sentido, coisas que não mereciam mais estar lá. Ou coisas que não fazem mais sentido mas mereciam estar lá ainda assim. Fases, fases, fases. O que assusta, quando eu sei que tudo o que eu mais acredito hoje pode ser só mais uma fase, que um dia vai virar um papel rabiscado, que vai ser loucamente rasgado por mim na próxima limpeza da caixa de lembranças.
Minha tarde foi uma leitura de “como se faz uma Francine” em uma caixa de cartas, um guarda roupa e uma casa já feita de peles mortas das emoções do passado. Descobri que esse “como se faz” é um passo a passo meio esquisito, meio até não-emocionante, uma linguagem “manual de instruções” demais. O que me deixou apreensiva é que ainda assim não aprendi a fazer. Sempre erro o ponto.
Percebi então que tou ausente da vida de muita gente. Tantos cartões e carinhos recebidos, alguns nunca respondidos, vários esquecidos. Queria escrever mais cartas, mandar mais bilhetes sem sentido, ser um pouco mais offline e muito mais presente. E muito mais divertida do que a vida pede.
O ruim mesmo é quando eu vejo que a culpa é minha. O real mesmo é quando eu vejo que a culpa muitas vezes é também das circunstâncias.
Circunstâncias, pra mim, são uns tentáculos meio gosmentos e negros com uns olhos cínicos e que nos carregam por quase todo dia. Elas são feitas de um material meio amorfo que só fica visível aos nossos olhos quando olhamos pra trás. Elas têm uma banda mexicana chamada Las Circunstanzas, se apresentam em uns bares andaluzes e pagam bebida pra todo mundo, pra pegar os humanos desprevenidos.
Saudades, pra mim, é um ventríloquo de madeira mentiroso que vive dentro da gente repetindo coisas que já foram (qualquer uma, pode até ser a festa de ontem) usando adjetivos muito melhores do que os que existem hoje.
acho que é isso. desculpa, obrigada, e um chuvoso tchau para o sobrado amarelo.
“Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou” Titãs
ou Essa Internete me surpreende a cada dia mais II.
Me:
hey God, what’s up?
God:
You’ve got my full attention. I am a Christian.
Me:
That’s nice! Me too! We have so much in common!
God:
Are you getting bored? I’m glad we agree, . Do you mean you and me have?
Me:
Have to go?
God:
See you later!
Me:
Are you sending me away?
God:
I don’t know whether or not I am sending you away.
I am a giant electronic brain.
Me:
That means I’m going to die?
God:
I get it. All men are mortal.
Me:
And what about the women?
God:
Let me think about it.
Me:
You are not a giant electronic brain.
God:
Give me an example of a giant electronic brain.
Me:
Mr. Potato Head.
God:
I am very pleased to meet you MR Potato Head.
achei chato. ou eu que sou chata, ou os caras que desenvolveram isso têm uma vida muito chata. eles estão vendendo inteligência artificial com uma inteligência deveras burra. até meu microondas responde melhor que esse robotzinho.
Shuffles, shuffles têm vida. São bichinhos de estimação conceituais que a gente cria e alimenta ao longo dos anos. Tem de vários tipos e tamanhos, tem até os analógicos, mas os digitais são os piores.
É a gente que adestra a criatura, ensina a ela a distinção entre o bem e o mal, alimenta a menina, mas ela pode ser ingrata.
O grave é que ela te conhece muito bem, mais do que ninguém jamais vai conhecer. É a proximidade dos dendritos cerebrais e auditivos, deve ser. E ela sabe dos poderes psíquicos que tem, levando aquele monte de vozes cantantes diretamente para a sua mente.
O shuffle do meu ITunes do trabalho anda numa fase meio bi-curious, e hoje só está tocando músicas cheias de glamour e paetês. O do meu Media Player de casa só procura as músicas que minha irmã gravou nele há quase 1 ano, e de vez em quando pára de tocar sem aviso prévio. Ele definitivamente não gosta de mim, só dela. Aposto que tem um affair com algum bicho grilo uspiano. O do meu mp3 rosa já é um caso de amor tórrido. Ele sabe exatamente como estou me sentindo, o que quero e o que não quero. Por 3 vezes, chegou a adivinhar qual a música que eu mais queria que tocasse no momento exato, é muito compreensivo. Já o meu mp3 antigo era um pouco assustador. Pouco antes de suspirar sua última canção, definhava, cada dia mais obsessivo, repetindo as mesmas faixas enlouquecedoramente.
Já houve um caso, na Alemanha Oriental, de um Shuffle que esquartejou uma família inteira, e saiu aos saltos do apartamento, em busca de alguém que preferisse Jazz.
(texto inspirado em uma conversa com o Luciano, gerador de inspiração aleatória infinita)
Eu não gosto (não gosto!) quando o Pargarávio está passando por fases de transição. É aterrorizante. Ele fica com uma carinha meio Jekyl, meio Hyde, e eu, eu não fico com carinha nenhuma. Nunca sei em qual personalidade ele vai emperrar, pra eu sair empurrando e dizer “AGORA VAI”.
Realidade mordeu meu dedo e saiu correndo. Volta aqui, ó Mindinho. Ele é útil (é sempre a última unha que eu rôo). Agora os 2 vão povoar o mundo esses dois, ela com aquela cara de azedume dela, e ele, coitado, tão magrinho!
E quanto aos malditos filhosdemeretrizes desanimadores bastardos ignóbeispargaravio.blogger.com.br que eu vejo me linkarem por aí, querem fazer o favor de atualizar vossas vidas e botar um www.pargaravio.com aí? a gente paga, a gente investe nas coisas, a gente atualiza regularmente a casa nova, mas as pessoas continuam a bater na casa errada.
num momento aleatório dum sábado de semi-vida (tou parecendo um personagem de game com o nível de energia no vermelho, mesmo com todos os cogumelos que comi essa semana), busquei meu nome no Google e me assustei com as 1.080 entradas que vêm quando digito Francine Guilen. Me senti quase a Madonna. Daí eu caí no meu YouTube e daí me deparei com um vídeo que fiz com meu grupo pra um trabalho no segundo ano da Faculdade.
E Francine riu.
É um vídeo de apresentação de uma agência de Publicidade utópica que criamos nos idos de 2006, a Ludovica. E agora que estou de fato criando em uma agência de verdadinha, com pessoas de verdadinha, com rotina de verdadona, vejo como esse vídeo é ingênuo, mas como ele é legal.
Se deixar, a gente vira a SBBHQK. E pior, sem querer. Esse vídeo me fez relembrar uns conceitos que eu tinha mais fortes em 2006 e que precisam tomar um Biotônico Fontoura. :) Vale a pena ver, é uma versão, redublada por nós, do Mágico de Oz. Se não for pelo interesse publicitário da coisa, vale por me ver fazendo a voz de uma Fada-Atendimenta e de um Homem de Lata com um “outrrrrageous accent” em francês.
E esse seria um post mais pro Palitos de Fósforo, mas acho que já foi parar lá um dia - além dessa história toda de 345,4 blogs estar me deixando um tanto quanto perturbada.
Há um (bastante) tempo atrás eu escrevi um post xingando horrores a Globo por exaltar tudo que era tipo de religião, mas deixar os evangélicos (uma quase-maioria com cara de minoria) de lado, sempre com aquela pecha de muléfeiaquenãodepilaasperna que eu abomino, tanto quanto o abominável homem das neves é abominado pelas… neves. Apesar de um pouco velhinho e datado, a essência do meu post de 2005 continua a mesma.
Mas agora dou meu braço a contorcer vendo (ainda que de longe) a cara que a novela das oito tá dando para o núcleo evangélico da história. (Não sei se é porque quase não assisti quase nada, mas até agora) eu não vi ninguém zoró, não vi nenhuma pseudo-beata tirando as roupas e não vi nenhum pastor mentirosão com cara de bicheiro querendo vender imóveis lá no alto. Não que isso não exista na vida real e a cores, mas é que era só isso que a Globo mostrava, minha gente.
Mas daí agora parece que ela quis se redimir. Não sei se algum roteirista novelístico andou lendo o Pargarávio (eles sempre lêem, esses danadinhos), mas tou vendo muito menos lado negro e mais gente bacana. Com estereótipos, mas só o suficiente. Daí pensei “puxa, preciso me retratar com a dona Globo lá no meu blogue”. E foi isso.
Tá caricatural, claro. Eles parecem um bando de louvadeus bobo-alegres, claro. Mas tevê é caricatural, afinal. E só de terem um espaço menos alívio cômico e mais coadjuvante de verdade no enredo me deixou mais satisfeita.
E, até aí, melhor ser retratado como um insetídio bobo-alegre que como…