Archive for the ‘chuva chuvinha’ Category

vale a pena contar.

Saturday, August 23rd, 2008

voltando do hospital. Correu tudo bem, as crianças vêem seu nariz vermelho e se animam e você ajuda a que elas se animem mais, e você sai mais animado e com a sensação de que, mesmo cinza, o dia está cor de laranja.

Porque sua semana foi boa, depois de uma sucessão de semanas mal-sucedidas.

Boa não. Tão boa!

Você sorri e se acomoda no ônibus cor de laranja. E quando o velhinho vai descer, ele fala Senhoras e Senhores.

Senhoras e Senhores quem fala é quem vai pedir dinheiro no ônibus. Mas o apresentador do circo também fala Senhoras e Senhores. E o velhinho está bem vestido, ninguém fala Senhoras e Senhores bem vestido no ônibus.

Um discurso vem depois do Senhoras e Senhores. Você já pensa na sua carteira e nas suas moedas pesadas, mas o discurso não pede moeda pesada.

“Senhoras e Senhores, vamos agradecer o nosso motorista e o nosso cobrador, porque eles trouxeram todo mundo são e salvo, até aqui”.

Deve ser bom, pra um motorista, ouvir um Obrigado e não um Vai Descer.

Você aplaude o velhinho e nem vê se mais alguém aplaudiu. Foi o momento dele, foi o momento do motorista e foi o momento do cobrador. E os três momentos pediam palmas.

Olha pra janela e segue, num dia cor de laranja.

Num dia cor de laranja
A banda só toca o que o público manda
E se você estiver triste
A banda faz a música e você canta

Num dia cor de laranja
As pessoas são doces e a chuva é de Fanta
E se a saudade bater
A banda toca e os mortos se levantam

Tenha um dia cor de laranja
É o que todos nós te desejamos

Tenha um dia cor de laranja
É o que todos nós te desejamos

[Bazar Pamplona]

Sábado, Setembro 02, 2006

Saturday, April 19th, 2008

Eu amo São Paulo. Por incrível que pareça. Ano passado eu não gostava, mas o tempo me fez gostar cada vez mais dessa quarta maior cidade do mundo, por vários e vários e vários motivos. Minhas reclamações são só contra a poluição, o trânsito e… a umidade relativa do ar. Porque aqui simplesmente chove quase que tanto quanto no Sertão.

Ok, ok, eu nasci e cresci em uma cidade litorânea, e isso explica tudo. Em Santos realmente chove. Não com três gotas infelizes que aparecem só pra dizer “olhem só pra mim, somos três gotas, vamos chover durante cinco minutos só pra assustar vocês”, igual acontece aqui em Sampa. Terra da Garoa??!! Em um ano aqui, acho que só vi garoa umas 3 vezes. E olhe lá.

É que eu gosto de chuva. Não é o melhor tempo para se pegar ônibus e tudo mais, mas aquele barulhinho de água caindo do céu, as gotas nos vidros das janelas e todo o simbolismo de renovação, bênção e confirmação que chuva tem me deixa muito de bem com a vida.

Agora imagine só meu desespero ao aportar aqui e perceber que chuva aqui é quase que um milagre de Natal. E, pior, quando chove, é um toró legal, mas que dura… o que? No máximo duas horas, se eu for muito otimista. Muito diferente de lá, na terrinha litorânea, onde chove bastante. Tem vezes que chega a chover durante duas semanas seguidas, para minha grande felicidade.

O pior mesmo é ver as reações dos paulistanos em relação à chuva. É só umas gotas começarem a cair, que é um tal de gente correndo e se esmagando de um lado para o outro, como se o mundo fosse acabar a qualquer instante, e o Apocalipse estivesse em seus calcanhares. Ora pois, devo avisá-lo, meu caro amigo fugitivo, que mesmo que seja uma chuva forte, normalmente o máximo que pode acontecer com vossa senhoria se você entrar nela é SE MOLHAR. Nada relacionado a membros decepados, perda da alma ou morte súbita, como as corridas desesperadas dos paulistanos com medo de chuva demonstram. Queridos, aquilo lá caindo do céu não são bolotas de lava, nem setas inflamadas do demo, é CHUVA. Chuva ácida, muito provavelmente, mas chuva. Aquela coisa gostosa que faz bem, que lava a alma, e que inspira.

Aí você abre a janela do ônibus para sair o cheiro de caninos molhados de lá de dentro e todo mundo vira pra você com cara de “ela abriu a janela. Ela vai deixar o mal líquido entrar em contato conosco! A morte nos aguarda com grandes dentes afiados! QUEIMEM A GAROTA COM A BOINA!”. Aí você passa em frente às estações cobertas de metrô e vê 522 pessoas aglomeradas olhando para a chuva com expressão de pânico, sem coragem de pôr o pé para fora do coberto. Imagine se estar esmagado no meio de outras 521 pessoas semi-úmidas é mais confortável do que simplesmente sair e sentir a chuva te molhar.

Deve ser algo cultural. Talvez eu saiba que, em Santos, se eu resolver ficar no coberto para esperar a chuva passar, existe a chance de ter que acampar “no coberto” e lá ficar esperando durante os próximos 3 dias. Enquanto aqui, a chuva mentirosa dura tempo suficiente para que os medrosos possam ficar poucos minutos debaixo do telhado, já sabendo que o seu fim está próximo (o da chuva, não o deles, creio eu).

Claro, não é nada legal chegar encharcado em casa. Dá gripe, leptospirose, baixa auto-estima e demais coisas desagradáveis. Mas isso não é explicação suficiente para as atitudes esquizofrênicas daqueles sujeitos engravatados da Paulista que temem a chuva. Será que eles nunca brincaram de correr no quintal e pular nas poças durante a chuva mais forte do ano? Eu faço isso até hoje. E ficar com gripe depois é inclusive parte da brincadeira. Burricos.

eu vi estrelas e pensei que eram aviões. *

Saturday, March 29th, 2008

Ontem (não, não foi ontem, que escrevi isso num bloco de anotações há pelo menos 1 mês e só agora estou transpondo isso para o mundo digital) eu vi estrelas e pensei que eram aviões.

Acho que foi a primeira vez, em 3 anos, que vi estrelas no céu aqui. Foi tão encantador. Foi estranho. Foi como se eu as estivesse vendo pela primeira vez em 20 anos. Eu não lembrava que elas eram tão azuis, tão próximas e tão piscantes.

Não é à toa que achei que eram aviões.

Deu vontade de parar e ficar olhando. Mas fui escrever essas frases. Qdo terminei, as pequenininhas já tinham sumido. Só sobraram as mais piscantes, grandonas, os aviões, as navesmãe.

Pinga ni mim.

Friday, March 28th, 2008

Quinta-feira, Outubro 25, 2007

Gente, a chuva. É água caindo do céu, gente.
Eu pareço mesmo uma criança. Fiquei os últimos meses olhando pro céu, esperando uma gotinha de chuva cair de lá e tirar essa coisa seca do ar, do mundo. Agora chove sem parar faz dois dias. Sei que depois disso é capaz de eu esperar mais outros meses por ela. Sei dos seus problemas e blá e blá e blá. Mas sei que ela não quer desalojar ninguém, não faz por mal. Ainda assim, os jornais a tratam como coisa feia, como “CAOS EM SÃO PAULO: CHUVA FAZ CIDADE PARAR”.

Claro. Com essa filosofia do medo em cima dela, é lógico que os engravatados não exporão seus Armanis às gotas tóxicas e molhadas, por Deus, molhadas, desse monstro assassino, e vão pôr seus carrinhos nas ruas, em pânico. Assim como canta a lindaperfeitaumdiaaindasereicomoela Regina Spektor, em uma de minhas músicas favoritas:

Quer ver irritação é eu olhar pra barra de status do meu Firefox e ver que a previsão do tempo é “Bom Tempo”. Sempre que alguém vem me dizer que hoje “o tempo tá bom” me seguro pra não fazer um discurso ilógico sobre a subjetividade dessa frase. Porque tempo bom pra você, chuchu, não é tempo bom pra mim. Vou propor uma lei a respeito dessa frase castradora da identidade temporal-atmosférica-meteorológica das pessoas.

A verdade é que quando chove, me sinto o próprio “único garoto vivo em Nova York” da música do Simon & Garfunkel.

com a diferença de que eu sou uma garota. E não é Nova York, é São Paulo.