Archive for August, 2008

vale a pena contar.

Saturday, August 23rd, 2008

voltando do hospital. Correu tudo bem, as crianças vêem seu nariz vermelho e se animam e você ajuda a que elas se animem mais, e você sai mais animado e com a sensação de que, mesmo cinza, o dia está cor de laranja.

Porque sua semana foi boa, depois de uma sucessão de semanas mal-sucedidas.

Boa não. Tão boa!

Você sorri e se acomoda no ônibus cor de laranja. E quando o velhinho vai descer, ele fala Senhoras e Senhores.

Senhoras e Senhores quem fala é quem vai pedir dinheiro no ônibus. Mas o apresentador do circo também fala Senhoras e Senhores. E o velhinho está bem vestido, ninguém fala Senhoras e Senhores bem vestido no ônibus.

Um discurso vem depois do Senhoras e Senhores. Você já pensa na sua carteira e nas suas moedas pesadas, mas o discurso não pede moeda pesada.

“Senhoras e Senhores, vamos agradecer o nosso motorista e o nosso cobrador, porque eles trouxeram todo mundo são e salvo, até aqui”.

Deve ser bom, pra um motorista, ouvir um Obrigado e não um Vai Descer.

Você aplaude o velhinho e nem vê se mais alguém aplaudiu. Foi o momento dele, foi o momento do motorista e foi o momento do cobrador. E os três momentos pediam palmas.

Olha pra janela e segue, num dia cor de laranja.

Num dia cor de laranja
A banda só toca o que o público manda
E se você estiver triste
A banda faz a música e você canta

Num dia cor de laranja
As pessoas são doces e a chuva é de Fanta
E se a saudade bater
A banda toca e os mortos se levantam

Tenha um dia cor de laranja
É o que todos nós te desejamos

Tenha um dia cor de laranja
É o que todos nós te desejamos

[Bazar Pamplona]

o almoço de Beethoven

Sunday, August 10th, 2008

- Papai, eu quero ouvir Beethoven.

É, tenho uma prima de 2 anos que pede isso para o pai. Acontece que meu tio, não satisfeito em ter ajudado a transformar eu e minha irmã em insaciáveis e irremediáveis consumidoras de cultura, resolveu aprimorar o monstro em uma versão só dele.

Então ela viu o encarte do CD. Que a encarava mais ou menos assim:

- O Beethoven tá bravo, Fran.

- Por que o Beethoven tá bravo?

- Porque roubaram a comida dele.

- Coitado! Quem roubou a comida do Beethoven?

- A irmã dele.

- E qual o nome dela?

- Bethovina.

Então agora está explicada a expressão de dor no fígado que o Beethoven tinha. A Bethovina roubou suas batatas. A Bethovina não tem mesmo jeito.


toca o telefone

Wednesday, August 6th, 2008

- Alô.

- Obrigada!!!!!!!!

- Obrigada!!!!

- Obrigada!

- Obrigada.

- Valeu mesmo.

- Amém!

- Brigadão por ter ligado!

- Que isso, magina.

- Não, não tenho!

- Não, essa foi minha irmã.

- Isso, casou ano passado!

- Sim, ela tá bem.

- Hehe.

- Obrigada, muito obrigada!

- Ora, imagine.

- Outro.

- Outros.

- Tchau.

isso mesmo. é meu aniversário!

e te dizer uma coisa a respeito de atualizações: que trabalhar, procurar emprego, fazer tcc, atualizar portfolio, estudar, freelar, escrever roteiros para o aniversário da prima de 3 anos, manter a vida social e blogueira e respirar, tudo ao mesmo tempo, são coisas que demandam um certo tempo. Mas tempo é psicológico, não é mesmo? Que o digam meus 21 anos.