6 de julho de 2006
Aí eu e a mamãe fomos almoçar, enquanto meu pai e minha irmã escalavam umas pedras (essas coisas de gente metida a Rei das Selvas). E ela - claro, ELA - inventou de pedir uma saladinha de entrada pra nós duas. Não é que eu não goste de salada. Eu só não gosto de nada or ninguém que seja verde e nascido em uma horta. Na verdade nem precisa ser verde. Não sou fã de hortaliças de modo geral. Frutas tudo bem. Eu não bebo sucos, mas frutas me trazem felicidade. Já verduras e legumes… eu acredito que a maioria delas não foi feita para o homem comer. Mas o homem, egoísta e mesquinho como ele só, achou que todas aquelas coisas brotando no mato eram pra ele. Aí deu no que deu: aquele prato de salada, todo bonitinho. Rabanetes picadinhos, cenourinha ralada, alface com dois charmosos tomatinhos-cereja em cima, e tomate. Muito tomate.
Olhei para o prato. Olhei pra minha mãe. O prato olhou pra mim. E ele não queria ser meu amigo. Quando minha querida progenitora disse “se você quer mesmo fazer regime, o seu almoço deveria ser isso e um frango grelhado”, encarei aquilo como uma afronta e resolvi ir
Não sei se o problema era eu, a salada ou o tempero, mas minha aflição crescia quando eu notava que o sal não salgava (só podia ser farinha), o limão adocicava e o óleo de oliva era daqueles inodoros, incolores e insípidos. Joguei sal nos tomates cereja. Engoli um por um. Na minha boca eles pareciam exatamente olhos humanos. E eram doces. Apelei para o alface, uma das poucas coisas naturais que são digeridas pelo meu organismo tão doentiamente urbano. Ufa. Agora só faltava a cenoura, os tomates (eram muitos tomates) e os rabanetes. Fechei meus olhos e abri depois de um minuto, na esperança de que eles desaparecessem. Me fingi de morta. E nada. Enquanto isso, ao meu lado, cada garfada voraz da minha mãe era uma garfada no meu coração.
Se ao menos tivesse cebola…
Tags: salada
October 15th, 2008 at 3:47 am
We have been an ebay power seller and paypal confirmed seller of wow gold for years.